domingo, 11 de março de 2012

Encontro da Blogosfera de Economia em Belo Horizonte

Perdoem-me pois a notícia já é passada, mas acho interessante para o conhecimento geral aqui no blog. Nessa última sexta-feira (9.3.12) aconteceu em Belo Horizonte o II encontro de blogueiros de economia. O primeiro ocorreu em São Paulo.

Não pude ir pois fiquei sabendo na sexta a tarde quando o evento já ocorria, mas de todo modo, é interessante pegar os nomes dos blogs participantes. Alguns dos quais eu ainda não conheço, tal como o The Drunkeynesian, do qual retirei o presente cartaz. A lista completa está também no cartaz e no link do encontro, estou linkando-os aqui no Economia Marginal.

Nota: Ainda é incrível a dominância de blogs macroeconômicos no Brasil. Lembro-me que a certa altura da graduação um professor em tom jocoso comentou que os microeconomistas no Brasil serviam para limpar com esfregão o chão dos departamentos de economia pelo Brasil afora. Tal histórico de importância aos colega macroeconomistas é compreensível, afinal, somos um país que passou por anos de alta inflação e outros apuros com a macroeconomia, consenso mesmo na área (se é que há algum, surgiu apenas em anos recentes da nossa história econômica). Ser microeconomista naquela época era um requinte que poucos podiam se dar ao luxo, a realidade parecia estar bem longe da microeconomia. Mas é claro que os macroeconomistas sabem de micro, alguns deles mais do que os arrogados microeconomistas, outro fator que ocorre é que a ciência antigamente costumava ser mais generalista também. Tenho colegas que até hoje torcem o nariz para quem diz saber só de uma dessas áreas (e olha que nem falei dos econometristas).

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

The Frederick Mosteller's Subway Problem

Caros, pequeno post para informar que atualizei o algoritmo de Gale-Shapley que foi mencionado no post "problemas matemáticos interessantes", agora está funcionando perfeitamente para men proposing and women proposing (antes funcionava só até matrizes 6x6), testei até uma matriz 100x100. Está lá no R-Nabble. Também para não perder a oportunidade, segue um outro problema de metrô (uma vez considerei um problema de outra natureza aqui no blog) do livro "Fifty Challenging Problems in Probability" do Frederick Mosteller:

"Marvin sai do serviço em horários aleatórios entre 3 e 5 da tarde. Sua mãe mora no subúrbio e sua namorada no centro. Ele pega o primeiro metrô que aparece em qualquer direção e janta na companhia da pessoa que está na primeira direção do metrô que lhe aparece. Sua mãe reclama que ele nunca vai jantar com ela, mas ele diz que ela tem chance de 50-50. Ele jantou com sua mãe apenas duas vezes durante os últimos 20 dias de trabalho. Explique."

Quem estiver disposto a considerá-lo pensem aí, em breve posto a resposta. Como não podia deixar de ser esse problema lembra Titãs.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Qual o melhor álbum dos Beatles?

Aí está uma pergunta que nunca poderá ser respondida com certeza absoluta. É uma questão muito subjetiva para se ter uma ponderação correta. Mas supondo que conseguíssemos uma solução para o problema, qual técnica adotar? Goste você ou não do Fabulous Four, é possível que ache interessante as técnicas da abordagem que tentarei aqui aplicar para responder qual o melhor disco da banda e é possível aplicá-la a diversas áreas. Essas técnicas são chamadas de "densidades relativas" por Handcock & Morris (1998) ou  "densidade de funções quantílicas" por Parzen (1979). Há ainda a terminologia que a chama de "densidade escalonada" (grade density) ou "razão de densidades" proposta por Cwik & Mielniczuk (1989). Se buscarmos desenvolvimentos mais profundos dessa técnica regressaríamos a autores dos anos 50. Na verdade, se tornou uma literatura aplicada em várias áreas da chamada hoje de "Teoria da Informação", mais adiante explico melhor essas denominações, por ora voltemos ao problema original: "como podemos escolher o melhor álbum dos Beatles"?

Bem, para isso, podemos ouvir a opinião dos fãs. Eu fui na base da amazon.com, lá cada um pode classificar com estrelas de 1 a 5 o quanto gosta de um álbum (dados no final do post). Escolhi a amazon por ser um site grande e com um grande registro de dados, e os "Beatles" por ser a banda mais conhecida do planeta e a favorita de 9 entre 10 pessoas, sobre a qual se possui grande conhecimento dos álbuns e de toda produção. O disco com menos votos é o "With The Beatles (WTB)" com 224 reviews na data de hoje (05/02/2012) em que atualizei os dados, e o disco com mais votos é "Sgt Pepper's" (SGT) com 1338 votos. Por meio do site podemos construir alguns histogramas com o números de estrelas dos albuns. Vejamos alguns exemplos:


Fonte: do site da amazon.com na data de 05/02/2012

Reparem que a proporção de estrelas é diferenciada entre os álbuns, "Sgt Pepper's Lonely Heart Club Band" parece ter uma proporção de uma estrela maior do que o "Abbey Road" (ABR) e "Let it Be" (LIB) tem uma proporção de 3 e 4 estrelas bem maior do que os outros dois. Uma coisa intuitiva que podemos fazer é tirar a média do número de estrelas de cada álbum. Dessa forma, o disco preferido é...

 Álbum |Média de Estrelas| Desvio | Class.
=========================================
-ABR----------4,65---------0,86------
-REV----------4,64---------0,95------
-RBS----------4,59---------0,99------
-HLP----------4,51---------0,90------
-HDN----------4,48---------1,11------
-BWA----------4,43---------1,12------
-MMT----------4,39---------1,10------
-SGT----------4,35---------1,18------
-YSB----------4,33---------1,17------
-TB1----------4,32---------1,15-----10º
-WTB----------4,32---------1,11-----11º
-PPM----------4,30---------1,08-----12º
-LIB----------4,19---------1,04-----13º
-BFS----------4,18---------1,03-----14º
-LIBN---------3,90---------1,30-----15º
_________________________________________
Fonte: cálculos a partir de dados do amazon.com. Data de 05/02/2012


... Abbey Road! Com média de 4,65 estrelas por consumidor, seguido de perto por Revolver (REV) (se você não é Beatlemaníaco a ponto de reconhecer os álbuns pelas abreviaturas, consulte a lista de abreviações na nota no fim desse post). Percebe-se que a média de estrelas é bastante alta, quase todos possuem média maior do que quatro estrelas, isso é muito comum em dados desse tipo, em geral, só votam as pessoas que mais gostam e se interessam por dar sua opinião sobre o trabalho da banda. Mas se estamos interessados nas preferências dos fãs isso não é, de fato, um grande problema. A menor pontuação de estrelas é o Let It Be Naked (LIBN), que não é um disco de carreira dos Beatles, mas sim um lançamento de 2003 sem as masterizações e arranjos de Phil Spector, que fizeram o disco conhecido. Vários fãs puristas rejeitam esse álbum, o próprio Let it Be não tem classificação tão vantajosa, veremos o por quê mais a frente.

Eu não estaria escrevendo isso tudo só para mostrar que você pode tirar a média de estrelas para descobrir qual o melhor álbum. O propósito maior é mostrar como entender as posições e situações por trás das médias, ver como os histogramas falam além do que as médias nos permitem obter, assim como entender outras classificações possíveis e generalizar o método aqui aplicado. Pois bem, se fizermos um histograma com as estrelas para todos os álbuns teríamos algo assim:

 Fonte: do site da amazon.com na data de 05/02/2012

Se ligarmos os topos de cada uma das barras do histograma perceberemos que a tendência de estrelas para os álbuns dos Beatles é crescente. A partir de agora, usaremos essas representações por meio de linhas ligando o topo das barras para as estrelas. Descobrir que essa tendência é crescente é de certa forma óbvio, mas as implicações a partir disso nem tanto. Podemos usar essa tendência para extrairmos informação. Para qualquer disco dos Beatles, e com esses dados, não seria de se esperar que as estrelas estejam distribuídas com uniformidade (20% de votos para cada). Da maneira como vejo, classificar pela média de estrelas é como se estivéssemos esperando que a uniformidade ocorresse e assim, poderíamos tirar a média pela proporção de votos. Outra maneira de encarar os dados é considerar a linha de tendência acima como ocorrência natural e ver como cada álbum se desvia mais ou menos dela.¹

Para fazer isso podemos utilizar as técnicas enunciadas no primeiro parágrafo. Essas técnicas consistem em comparar o histograma de referência, que no caso será o histograma com a proporção de estrelas de todos os álbuns, com um histograma de um álbum qualquer observado. O gráfico abaixo apresenta essas linhas de densidade.
 Fonte: cálculos a partir de dados do amazon.com. Data de 05/02/2012

A densidade relativa é feita pelo cálculo da probabilidade observada (pobs) sobre a probabilidade de referência (pref) para cada estrela. Quando as duas densidades são idênticas, a função de densidade relativa será sempre igual a um. Essa função de densidade relativa é também chamada de g(r), em que r é a posição na quantidade de estrelas, g(r)= (pobs)/(pref).

______________________________________________________________
Nº de Estrelas
função g(r)---1-------2-------3-------4-------5---
==================================================
identidade---1,000---1,000---1,000---1,000---1,000
___________________________________________________________________________________
exemplo------0,707---0,905---2,192---1,876---0,731
___________________________________________________________________________________
 Fonte: cálculos a partir de dados do amazon.com. Data de 05/02/2012

Dessa maneira vamos representar as funções de densidade relativas de alguns dos álbuns e ver o que descobrimos.

Fonte: cálculos a partir de dados do amazon.com. Data de 05/02/2012

Para interpretar o gráfico acima, podemos entender a função relativa como uma indicadora de quantas estrelas a mais (ou a menos) o álbum possui em relação à referência. “Abbey Road” e “Revolver”, se saem bem, pois possuem estrelas 1, 2, 3 e 4 de menos, e um número relativamente maior de 5 estrelas. São discos de alta aprovação e baixa rejeição.
 Fonte: cálculos a partir de dados do amazon.com. Data de 05/02/2012

Os três discos acima são intermediários. “Help” (HLP) se sai melhor, possui poucas estrelas 1,2 e 3, um elevado número de 4 estrelas e número de 5 estrelas bem próximo da referência. “Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band” possui alta rejeição indicada pelo número maior 1 e 2 estrelas. Tanto o “Sgt. Pepper’s” quanto o “Magical Mystery Tour” (MMT) oscilam em torno da referência.

Por fim, os álbuns classificados ao final da listagem. Começando por “Let it Be”, o penúltimo album dos Beatles (e lançado depois do Abbey Road) já foi meu álbum preferido por longo período, me surpreendeu um pouco estar entre os últimos. Ao que parece, pelos dados disponíveis, muitos fãs consideram “Let it Be” um álbum 3 estrelas, isso traz sua média para baixo e o distancia da referência. “Please, Please Me” (PPM) surpreende da mesma maneira, só que possui uma divisão entre 3 e 4 estrelas mais equânime, aliado a um número menor de 2 estrelas. Mais fácil de explicar é o “Let it Be Naked”, esse álbum é o “Let it Be” sem a masterização, mixagem e arranjos de Phil Spector, é só puro som, sem tratamento nenhum, e por isso o “naked”. Segundo a amazon LIBN foi lançado em 2003, eu só tive conhecimento dele a pouco tempo, creio que em 2009. Se por um lado pode ser bem interessante ver o som sem as intervenções de engenharia sonora, rústico como o Rock ‘n’ Roll, pode se interpretar também que LIBN é uma jogada de marketing e desvirtua a proposta original do grupo. Bom, a julgar pelo excesso de 1 e 2 estrelas é um disco com alta rejeição e por isso é o único que tem média abaixo de 4.
Fonte: cálculos a partir de dados do amazon.com. Data de 05/02/2012

Para finalizar, o método acima serve também para classificar de uma maneira diferente os álbuns, não somente pela média.  Podemos pegar uma estatística que calcula a distância da função de densidade relativa à sua função de referência. Essa estatística é chamada de KL devido ao seu desenvolvimento por Kullback & Leibler (1951):

KL(fobs;fref ) = ∑ g(r)ln(g(r))

Em que f(r) é uma função discreta que relaciona as probabilidades para cada estrela na distribuição observada e na de referência (g(r) pode ser escrita como g(r) = fobs(r)/fref(r)). O r assume valores de 1 até 5. Com a estatística KL é possível fazer uma classificação da "distância" (ou divergência) entre um álbum e sua referência. Para isso é necessário uma transformação para limitar os valores entre 0 e 1, vamos chamar de Índice de Densidade Relativa (IDR).

Se mobs > mref:
IDR= +∑ g(r)ln(g(r))/KLmax

Se mobs < mref:
IDR= -∑ g(r)ln(g(r))/KLmax

Onde mobs é a média da distribuição observada e mref é média da distribuição de referência, KLmax = 0,129. A classificação segundo o IDR é a seguinte:

     Álbum |--IDR- | Class. média*
============================
-REV----0,461--------
-RBS----0,292--------
-ABR----0,291--------
-HLP----0,271--------
-HDN----0,151--------
-BWA----0,035--------
-MMT----0,042--------
-SGT----0,045--------
-YSB----0,050--------
-TB1----0,056-------10º
-WTB----0,139-------11º
-PPM----0,301-------12º
-LIB----0,852-------13º
-BFS----0,940-------14º
-LIBN---1,000-------15º
____________________________
* Classificação pela média
Fonte: cálculos a partir de dados do amazon.com. Data de 05/02/2012

Vemos então que apenas os 3 primeiros álbuns trocam de posições, sendo que por essa técnica "Revolver" é o melhor álbum, "Rubber Soul" é o segundo, e "Abbey Road" figurando apenas como terceiro. O mais importante que essa técnica ensina não são as classificações per si, ou a mudança de classificação, mas sim porque os discos nos primeiros lugares estão lá, ou porque os piores estão classificados assim. Ao aliar as notas de "Let it Be Naked" com os comentários escritos no site é possível ter uma idéia mais qualitativa de porque esse disco é o último. Assim como uma ideia melhor para todos os outros álbuns. 

A utilidade da teoria de densidades relativas é mostrar coisas além da média e o desvio padrão, usar uma referência que não seja plana, ou seja, uma referência que inclui um conceito por trás. No caso da referência usada, encaramos como fato dado que a distribuição de estrelas votadas pelos fãs estarão mais concentradas entre 4 e 5 estrelas. Outras referências poderiam ser usadas. Caso usássemos uma referência uniforme de 1 a 5, a função de densidade relativa reproduziria igualmente as proporções já reveladas no histograma comum, ou poderíamos usar uma referência de 'beatlemaníaco', em que só conta o número relativo de 5 estrelas.

Usada em outros fins, a estatística KL (e o IDR) pode ser decomposta em efeito "locação" e "forma", no qual se separa a diferença pela média da diferença de composição da densidade de uma e outra distribuição, para maiores detalhes sobre isso sugiro consultar Handcock & Morris (1999). Diversos detalhes da construção acima podem ser melhor elucidados, para isso, consultem as referências utilizadas, os textos e links complementares, ou entrem em contato com o autor deste blog, ficarei feliz em compartilhar as dúvidas e prestar maiores esclarecimentos.

NOTAS:

[1] A simetria da distribuição é também importante, em distribuições assimétricas é bastante importante recorrer à medidas além da primeira ordem, métodos gráficos e demais ferramentos para se tratar com melhor compreensão os dados.

LISTA DE ABREVIATURAS: 


DADOS:
Fonte: amazon.com 05/02/2012

REFERÊNCIAS:

CWIK, J.; MIELNICZUK. “Estimating Density Ratio with Application to Discriminant Analysis.” Communications in Statistics 18:3057-69, 1989.

HANDCOCK, M.S.; MORRIS, M. “Relative distribution methods”. Sociological Methodology, Vol. 28, (1998). pp. 53-97.

HANDCOCK, M.S.; MORRIS, M. Relative distribution methods in the social sciences. New York: Springer-Verlag, 1999.

KULLBACK, S.; LEIBLER, R. A. “On Information and Sufficiency” The Annals of Mathematical Statistics, Vol. 22, No.1, Mar. (1951). pp. 79-86.

PARZEN, E. "Nonparametrical Statistical Data Modeling" Journal of the American Statistical Association, Vol. 74, No. 365 (Mar., 1979), pp. 105-121.

LEITURA COMPLEMENTAR:

GUIMARÃES, R.R.M. “Análise da distribuição salarial entre setor público e privado no Brasil (1987-2005) com aplicações para a reforma administrativa do governo federal”. Monografia (Graduação) – Departamento de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.

RODRIGUES, C.G. “A Relação entre a expansão do acesso ao ensino e o desempenho escolar no Brasil: evidências com base no SAEB para o período de 1997 a 2005.” Tese de Doutorado do Cedeplar, defendida em 2009.

http://en.wikipedia.org/wiki/Kullback%E2%80%93Leibler_divergence (Verbete da estatística KL no wikipedia)

http://videolectures.net/nips09_verdu_re/ (video aula de uma hora sobre entropia relativa)

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Emprego

Já imaginou um mundo de pleno emprego?! Veja então nessa animação como seria!

El Empleo / The Employment from opusBou on Vimeo.

Créditos pela dica: Prof. Cássio M. Turra no facebook do cedeplar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Encontro do NTA no CEDEPLAR apresentação do Prof. Ronald Lee

Pouco mais de um mês depois da simbólica data de nascimento do sétimo bilionésimo bebê,  no dia 5 de Dezembro, o Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares IEAT/UFMG trouxe o professor Ronald Lee, aclamado demógrafo da universidade de Berkeley, para falar sobre consequências do envelhecimento nos modelos de transferências de renda intergeracionais. Aproveitando a deixa, o CEDEPLAR organizou workshop do projeto NTA (National Transfers Accounts), trazendo também os professores Emílio Zagheni e Miguel Romero Sanchez do instituto Max Planck. O NTA é um esforço de unificar a contabilização para comparação internacional e assim observarmos comparação entre os países e entender as diferenças de como eles lidam com problemas como previdência, transferências de gastos para os dependentes, saúde, educação e muitos outros temas e assim propor modelos.

No Cedeplar o projeto NTA é coordenado pelo prof. Cássio M. Turra, e conta com importante participação dos prof. Bernado Lanza e a doutora Elisenda Perez. Os debates trazidos pelos palestrantes foram muito interessantes e na ocasião foi lançado o livro que se encontra no site do NTA.

Ronald Lee fez um panorama geral das transições entre os modelos de países ressaltando a questão das transferências intergeracionais e a repartição da origem das transferências de acordo com três informações: transferências diretas, rendimentos financeiros e rendimentos do trabalho. Maiores detalhamentos do trabalho podem ser encontrados  aqui. Emílio Zagheni trouxe interessante perspectiva da demografia digital com o uso de informações de e-mail para captar movimentos de migração entre países da Europa. Para isso ele usou a marcação de local de acordo com a procedência de e-mails, levando em conta que a conexão das pessoas é bastante perene. Quase não há, hoje em dia, situação de um migrante que não use sistema de e-mail, mesmo em viagem. Além disso o e-mail é pessoal, podendo quase que exclusivamente ligá-lo a pessoa e os seus vários locais de conexão ao longo do tempo. Miguel R. Sanchez apresentou modelos de simulação muito interessantes para captar.os efeitos da transição demográfica no crescimento econômico. Miguel estudou o caso de Taiwan que já passou por uma transição quase completa (uma transição nunca se completa de verdade) e encontrou um efeito de 22% de crescimento em 40 anos, é cerca de meio por cento de crescimento do PIB a cada ano. Pode parecer pouco, mas vale lembrar que é uma estimativa conservadora, pois efeitos da transição em outros aspectos como educação, produtividade, podem se somar, além disso ele calculou também efeitos na poupança líquida e taxa de investimento. 

Segue, então, vídeo da palestra proferida pelo professor Ronald Lee.

(parte 1)


(parte 2)


(parte 3 - Final)

Alguns Problemas Matemáticos Interessantes

Pessoal, algumas novidades do mundo econômico têm aparecido aí no fim de ano, algumas animadoras, outras nem tanto. Todos devem ter acompanhado a ascenção do Brasil para 6ª Economia mundial e vistos os detaques da inflação, superávit primário e outros tópicos. Bom, como microeconomista que sou, não vou me concentrar nesses assuntos por hoje. Sobre a questão do 6º lugar, digo que é uma notícia boa e interessante, mas há bem pouco tempo, ainda no "Brasil-novo" pós 2003, estavamos em 11º. Enfim, se colocação de tamanho de PIB fosse indicativo de qualidade de vida para seus concidadãos a China já estava bem há muito tempo. A notícia é interessante para reforçar o tamanho de nossa economia.

Mas me concentro aqui em tmas mais microeconomicos e matemáticos e alguns assuntos que aguardam um pouco para entrarem aqui no Blog. Um deles é um comparativo usando densidade relativa para saber qual é o melhor disco dos Beatles. Qual é o seu preferido?! Outro assunto nesse tema, e por vir aqui, é uma aplicação estatística ao problema de detecção de comportamentos diferentes: "o problema do chefe". Outro é um joguinho de Sodoku que fiz para o R, ainda não está pronto, pois meu algoritmo tenta achar um jogo válido entre os zilhões de jogos possíveis! A idéia do meu algoritimo é achar primeiro uma solução e depois cobrir os números de acordo com a facilidade que o jogador desejar. O fácil deve cobrir poucos números, o médio um pouco mais e assim por diante. Li em algum lugar que o Sudoku super profissional conta com apenas 16 números no grid inicial.  Os interessados já podem encontrar o jogo em um pacote "Sudoku" já disponível no R. Pelo menos a janelinha do meu sudoku (a da foto acima) é mais bacana. Quem não tem costume de usar o R e mesmo assim quer jogar um Sudoku e gerar jogos veja aqui nesse site.

Mas o propósito desse post no momento é convidá-los a conhecer o Problema do Casamento Estável (um joguinho muito interessante e didático), também conhecido como problema da dança de salão, desenvolvido pelo professor David Gale (1922-2008), da foto aí do lado, mais particularmente o algoritmo Gale-Shapley proposto em artigo de 1962. O problema consiste em alocar as pessoas de acordo com suas preferências da melhor maneira possível para os proponentes e que não dê empate. Imagine um salão de dança com o mesmo número de homens e mulheres. Esse problema envolve a escolha de um parceiro para a dança de acordo com as preferências. Suponhamos que os homens convidem primeiro as mulheres para dançar, então os homens propõem primeiro à mulher preferida. Mas e se mais de um homem convidar a mesma mulher para dançar? Então a mulher terá opção de escolha de acordo com as suas preferências. O problema pode ser invertido, com as mulheres propondo primeiro, o interessante é que nem sempre as soluções serão idênticas, o grupo que propõe primeiro tem maior chance de estar melhor, no mínimo estará igual a situação em que o outro grupo propõe. Um dos principais nomes nessa área é a profa. Marilda Sotomayor da faculdade de economia da USP que desenvolveu essa área, um dos seus artigos mais importantes é com o prof. Gale. Além disso é co-autora com Alvin Roth, outro nome importante da área, do livro "Two-Sided Matching: A Study in Game Theoretic Modeling and Analysis".

Há poucos dias meu orientador, o prof.  Eduardo Rios-Neto, me propôs lidar com esse problema para vermos uma questão de como são alocados os alunos de escolas públicas, uma aplicação importante que procura responder: "Será que podemos melhorar nosso ensino alocando melhor os estudantes?". E me debrucei a tentar o algoritmo na linguagem R, que tenho mais familiaridade. Hoje postei o resultado disso no R-Nabble, comunidade para usuários e desenvolvedores do R-project. Convido a todos que tiverem interesse, e lidam com o R, a me ajudarem e melhorar o algoritmo. É importante testá-lo e para novos desenvolvimentos da aplicação de alocação de alunos entre escolas.

Um exemplo interessante de aplicação é a dissertação de Felipe Bardella mestrado da USP. Em que ele estudou a relação de preferências que os alunos candidatos da ANPEC faziam para o exame e os resultados da seleção. Suas conclusões levam que o mercado da ANPEC passou por um tempo de aprendizado e que se trata de um mercado descentralizado próximo com solução próxima a do algoritimo NRMP. Os centros mais bem rankeados tem maior facilidade em fazer valer sua ordenação de preferências sobre os candidatos, os demais centros tem mais dificuldades o que insere maior instabilidade do processo para eles. Uma sugestão da dissetação de Bardella não foi ainda adotada pela ANPEC. Adoção de uma listagem maior do que 6 centros que é atualmente feita. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Notícia de Hoje sobre a Dívida de Minas

Pessoal, apenas uma nota curta relacionada ao post anterior, escutei na CBN hoje e está sendo veiculado no Diário do Comércio que o governo acertou com o banco Crédit Suisse um empréstimo de 6,45 bilhões de reais. O estado pretende usar esse dinheiro para pagar sua dívida mais cara que é com a CEMIG, relatada pelo prof. Fabrício no post anterior, esse é um bom movimento. Ainda precisará de dinheiro e contará com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (a CBN citou Banco Mundial, não sei se os dois ou se apenas uma das informações procede). Esse é um movimento interessante já que o juros no resto do mundo são ainda bem mais baratos que os nossos por aqui. E que a dívida da CEMIG era corrigida pelo IGP-DI + mais juros reais de 8,18%. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Artigo do Prof. Fabrício Augusto sobre a dívida de MG

Caros, o informativo de divulgação "Agênda Econômica" do Corecon-MG, trouxe na sua penúltima edição (Setembro/11) um artigo do Fabrício Augusto de Oliveira, economista especialista em Finanças Públicas. O artigo é bastante explicativo e interessante, ele dá as perspectivas de pagamento (ou insolvência) do estado de Minas Gerais. O assunto ainda é quente pois não só Minas Gerais, mas outros estados estão pleiteando nova renegociação da dívida. Em um quadro de futuro desaquecimento, volta da inflação e eleições municipais do próximo ano, o tema coloca as negociações de governos dos Estados e o Federal em um dilema de cruz e espada. Segue abaixo o artigo completo.  

"A dívida do estado de Minas Gerais: “Choque de Gestão” para não torná-la impagável

Fabrício Augusto de Oliveira(*)

A dívida contratual do governo do estado de Minas Gerais saltou de R$ 18,5 bilhões, em dezembro de 1998, para R$ 64,5 bilhões, em dezembro de 2010. Em termos reais, Isto é, descontada a inflação, a dívida cresceu, neste período, 15%, o que significa um crescimento anual de 1,15%. Um crescimento apreciável, considerando o fato de que, desde a implementação do programa “Choque de Gestão”, os déficits públicos, em Minas Gerais, de acordo com o governo, deixaram de existir.

A dívida pública só aumenta por quatro motivos: a) para cobrir desequilíbrios orçamentários provocados por gastos primários correntes superiores às receitas; b) para a realização de investimentos para os quais não se conta com recursos orçamentários suficientes; c) para o refinanciamento da dívida e de seus encargos; e d) para a cobertura de passivos imprevistos que surgem e para os quais também não se conta com dotações orçamentárias.
A partir do contrato da dívida com a União, o estado de Minas ficou proibido de contratar novas operações de crédito, o que só voltou a ocorrer em 2006, quando se enquadrou no limite de endividamento estabelecido pela Resolução 40, de 2001, do Senado Federal. De lá para cá, ou seja, até 2010, realizou novas operações de crédito no montante de R$ 3,7 bilhões. Se, apenas para simplificarmos, deduzirmos este montante do estoque da dívida, ainda assim restaria um saldo de R$ 60,7 bilhões.
Por outro lado, como o estado vem registrando superávits primários desde 1998 e o surgimento de passivos contingentes (reconhecimento de “esqueletos”) não tem sido expressivo, este crescimento se explica, predominantemente, pelo refinanciamento da dívida e de seus encargos (ou seja, pelo seu serviço), embora tais informações não possam ser obtidas apenas pela leitura de orçamento, já que este, devido a uma contabilidade peculiar que começou a ser feita após a renegociação da dívida com a União, não contabiliza esses valores.
Na atualidade, são dois os principais credores da dívida contratual do estado: a União, que detém 85% de seu total, e a CEMIG, com 8%. A dívida com a União, que, em dezembro de 2010, montava a R$ 54,8 bilhões, é corrigida pelo IGP-DI + juros reais de 7,5%. A dívida com a CEMIG, que atingiu R$ 5 bilhões no mesmo ano, tem custos ainda mais altos: IGP-DI + 8,18%. Para a União, o estado é obrigado a destinar 13% de sua Receita Líquida Real (RLR) para o pagamento de seus encargos, sendo o restante que não é pago (o resíduo) incorporado diretamente ao seu estoque. Para a CEMIG, o acordo prevê o pagamento de um percentual dos dividendos recebidos da empresa pelo estado para sua amortização.

Em nenhum dos casos, os pagamentos feitos conseguem, nem de longe, cobrir os encargos anuais. No caso da União, o estado efetuou o pagamento de R$ 3,1 bilhões em 2010, mas deixou de pagar cerca de R$ 6
bilhões, fazendo a dívida saltar de R$ 48,7 para R$ 54,8 bilhões. No da CEMIG, o estoque da dívida aumentou mais de R$ 700 milhões no ano, fazendo o seu estoque avançar para R$ 5 bilhões. 

Para interromper essa trajetória de crescimento explosivo da dívida do estado, tornando-a impagável, o governo deveria contemplá-la, também, com um verdadeiro “choque de gestão”: a realização de uma renegociação séria com o governo federal para reduzir seus custos (indexador e juros) e também com a CEMIG (uma dívida ainda mais cara), não descartando, também, a alternativa de trocá-la por outra dívida menos onerosa. A população agradeceria."

(*) Doutor em economia pela Unicamp, Professor do programa de mestrado em Administração Pública da Fundação João Pinheiro, Conselheiro do CORECON-MG, é autor, entre outros, do livro “Economia e Política das Finanças Públicas no Brasil”.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Durma-se com um tilintar desses (Money)

Money! O XKCD fez uma ótima tirinha-infográfico da circulação de de dinheiro nos EUA e no Mundo. Eu digo que o fluxo circular pode ficar bem mais complicado e os alunos não acreditam.

http://xkcd.com/980/huge/#x=-5264&y=-1680&z=2